Sábado, 16 de Maio de 2009

Metade

Gotas de perfume
Botões quebrados
Espelho sem face
Água desperdiçada
Pés calmos
Chão frio
Mãos carinhosas
Inalcançável miragem
[História que corre no olhar silenciado ]
e um dia
e uma noite
e um homem
Apenas um homem...


.R. Sampaio

Sexta-feira, 24 de Abril de 2009

O Paciente

Atrás da porta fechada
Da minha cabeça
Onde a criança alimenta o monstro
Está a resposta
Para a pergunta
CHAVE.

R.Sampaio

Segunda-feira, 6 de Abril de 2009

Abri as Janelas

O céu não estava mais em mim.

Não tenho nada a perder;
estou perdido.

O silêncio diminuiu
Gritou
Ele; “não quero nunca mais te ver”
Bateu o telefone.
Mudo
Silenciado
Eu.

Não tenho sentimentos
Tenho uniformes.
Me visto do acontecido.
Exponho gestos secretos.

Entrelinhas se rompem
Brilha a lâmina
Olha;
“vc tem olhos lindos”
Eu disse.

Existe uma não-saída
Um cadáver dentro do corpo vivo
Coexistindo
Correlacionando-se em teatro.


Respinga o mar sobre meu rosto
[ Jó ]
Estou bem.
Um pouco de febre também.
[ sempre essa mania de romantismo]

Vou começar a cronometrar os telefones que não tocam.
Evito novos longos discursos a meu favor.
Rejeito outra vez o céu em mim.

A tarde é fria.
Como tuas mãos silenciosas
Vazias
Implorando...
Esse frio metafísico que gela almas .
Não chega a ser uma mentira.

R.Sampaio

Quinta-feira, 26 de Março de 2009

20 março 2009-

Re[cortes?]



Ele é o príncipe dos meus sonhos destruídos.

Nas águas do rio Mearim não se vê os peixinhos no fundo.
A sereia se cala
indiferente
ainda mais distante.

O pedaço que falta em mim
Na verdade nunca esteve.

O horizonte não se alcança
Portanto é impossível.
O mar,
inteiro,
me desperta claustrofobia.

Desejo radiografias
E não apenas fotos e versos.
Entre o que se ouve e o que se entende
Há um intervalo profundo de luto branco e confetes pretos.

[Há uma diferença tênue entre enterros e festas de aniversário.]

Cada um é seu horizonte.[!?]
e.s.p.e.l.h.o.

“You will learn to lose everythingWe are temporary arrangements”

-Te conto meu pequeno segredo
E você desenterra comigo os brinquedos coloridos
No cemitério do jardim.

No relógio da cozinha
Onze horas é o tempo que não passa.

R.Sampaio

Terça-feira, 17 de Março de 2009

Existo impunemente

Se meus olhos fossem verdes
A existência era outra.

Conta mais uma daquelas que ninguém ri
Não é engraçado, nunca foi
Mas sei que você ainda lembra;
Diego com os sapatos encharcados
Dançando a dor de uma tarde escura
Com os olhos de um negro despudorado
[ esse sim é um fantasma insistente]

Fotografias rasgadas e cds arranhados nas paredes
É uma lembrança equivocada no lugar que lateja

Ele voltaria se meus olhos não fossem tão escuros?

Eu não sei
Não tenho para onde voltar.
[Nem para onde ir!?]

A morte ao passar me abraçou
Escuta
Essa música se ouve em plena luz do dia.

R.Sampaio

Sexta-feira, 13 de Março de 2009

ReToRnO

Observo solene
O estranho corredor branco
Cheio de portas enormes e silenciosas
Fecho-me dentro de uma delas
E já não sou mais o monstro que alimento
Deitado nos braços entediados da minha loucura
Espero qualquer coisa que venha de você
Desvendo-te pouco a pouco na construção dos meus dias
Desfaço as malas sem pressa
Como quem não quer chegar
Como quem não quer acordar do sonho
E descobrir-se sozinho
Amo-te
Agora
Nesse instante onde caberia o impossível
Bebo das minhas próprias veias
O veneno que meu corpo sempre mantém novo
Vivo
Abandono pela metade
As cartas que escrevo e jamais te mandaria
Tento me encontrar em algum lugar
Onde eu não sou você
Mastigo versos gastos
Vomito pétalas de flores exóticas
Desmorono
Vértebra por vértebra
Do pilar central da minha alma inquieta
Tenho sonhos e pernas quebradas
São cada vez mais fortes as doses amargas de anestesia
Recolho-me ao ponto de partida
Agora
Não é a hora
Mas o dia nasce
E é assim;
Bom dia tristeza!
O sol que nasce é outro
E agora chove, e é triste
Pois chove muito
Muito pouco.

R.Sampaio

Quarta-feira, 11 de Março de 2009

Paranóia

Estou perdido
chumbaram grades no apartamento
Minha insegurança agora é mentira.

De qual lado vc fica
Acenando e gritando meu nome.
Com esses olhos de quem nunca mais vai voltar.
[?]

- olha
Tu escreve esses coisas
Mas esses cadernos são doenças do século passado.


[ cogito]

Alexandrina;
-Posso te arrumar um psicanalista.
-Não posso [ eu disse]
-Mas pq?
-Eu me apaixono por qualquer homem que me dê o mínimo de atenção.


Me sinto acolhido por essa idéia da paixão como transferência
E a falta de ética sobretudo.


Vc me espera numa estação sem sentido algum .


Ainda me visto com um pouco de medo
[Medo é presunção e vaidade ]

Estou disposto a esquecer qualquer coisa [ eu grito]

Lola vem a sala e vomita anêmonas na minha boca

Enterro meus dedos rasgados nas areias de um deserto sem fim.
No sonho, meu dentes continuam caindo.
Todos,
Um por um.

[ eu escondo um segredo,eu sei]

Roberto Sampaio